
- Supremacia pop
Não, não vou meter o bedelho. Simplesmente porque só estou ouvindo um lado dos fatos, mas mesmo assim esse tema vem me incomodando há algum tempo, então eu vou usar isso de gancho.
Alguém reparou no que aconteceu com o cenário musical nos últimos tempos? Não? Exatamente!
Minha namorada uma vez brigou comigo quando eu expus a realidade a ela: “é impossível isso, Leo. Não é assim que as coisas funcionam”, ela me disse, e eu não consegui convencê-la.
Pois bem, vou te explicar o mesmo que expliquei para a Angela.
Perguntei sobre o cenário musical de propósito, eu sabia que você iria procurar alguma coisa mas não ia achar nada no cérebro, e sabe por quê? Porque nada muda no ramo. Aliás, até muda e muda muito, o problema é que mudam os artistas, as músicas, os gêneros; mas as pessoas, o público, esse não, leitor (a), esse aí se mantém estático, sem vida, só esperando qual vai ser a nova bunda musical, o novo Timbaland ou algo mais bizarro – se é que existe.
O público de rádio costuma ser pouco volátil, mesmo achando sempre que está lutando contra a mídia. As rádios não tocam músicas originais, feitas com sentimento e com arranjos achados; o que toca na rádio, na grande e esmagadora maioria, é uma produção estudada e muito bem avaliada pelas produtoras e gravadoras que escolhem artistas a dedo em combinação com letras pegajosas e que possuem alto nível de vendagem.
Você já assistiu ao filme Be Cool – O outro nome do jogo? Pois deveria, ele conta um pouco do que acontece com a musicalidade atual, o fast-music. A própria Britney Spears que o diga, coitada, nem cantando com a grande e bondosa Madonna – outra que agora já é kitsch total – conseguiu voltar à sua forma real (não a física, que também estragou e muito). É só você se lembrar do que foi a Madonna nos anos 1980, a contracultura em pessoa; carne e mente focada em destruir o moralismo excessivo da época. Já ouviu alguma das músicas atuais dela? Enquanto escrevo me deu vontade de rir, juro.
Leitor (a), o que o Tico Santa Cruz escreveu no seu blog é só um dos muitos capítulos da vergonhosa situação vivida no meio musical, e eu nem vou comentar o televisivo porque a coisa fica pior ainda. Eu tiro o chapéu ao Tico que teve coragem de expor a situação e dar a cara à tapa, porque agora, é a Mix que vai ter de provar que tem algum valor público além do que prega na programação.
Gostaria de dizer que não sou hipócrita, eu também me deixo ser envenenado por boa parte desse lixo musical que toca na rádio; minhas únicas fugas ainda são os movimentos isolados e alguns raros momentos de Teatro Mágico e Trama Virtual. A grande manifestação calada que vem sendo feita pela rede é o que alimenta a vontade de alguns (que são vários, porém espalhados) que gostam de fazer o diferente: não colocar um All Star porque todos o fazem, mas porque ele NÃO combina com a sua roupa; não usar um piercing na boca, ou na sobrancelha, colocar um genital, ou na mão, sei lá; esse pessoal merece o protesto internético que está acontecendo agora. Eu, que não sou muito diferente, torço por esse público raro e é claro, torço pelo movimento mp3 Free.